José
da Penha Alves de Souza nasceu a 13 de maio de 1875, na cidade de Angicos.
Foram seus pais: José Félix Alves de Souza e Maria Inácia Alves de Souza.
Em
1880, José da Penha foi para Fortaleza, onde estudou no Colégio Militar.
Depois, seguiu para o Rio de Janeiro, onde, seguindo Aluízio Alves, fez toda
a carreira militar; praça a 2 de agosto de 1890, alferes a 3 de novembro de
1894, tenente a 8 de outubro de 1898 e capitão a 2 de agosto de 1911".
Desde jovem, participava de polêmicas, conseguindo se destacar mesmo quando
seus adversários eram do nível de um Medeiros e Albuquerque ou de um José
Veríssimo.
Nasceu,
ao que parece, para debater. Discutir. Liderar. "Seu ardente ideal
republicano, impregnado da proteção de Benjamim Constant, o gosto pelo estudo
da História dos Povos, a vivência jornalística conduzindo-o à análise dos
fatos diários, principalmente os de formação da República emergente, participação
militar característica dos primórdios do novo regime, o espírito polêmico,
fariam inevitavelmente do jovem pensador-militar um líder político",
relata Aluízio Alves.
Não
sabia silenciar diante da injustiça.
Na
análise de Câmara Cascudo, "o nome de José da Penha Alves de Souza evoca
o movimento da luta, o choque de idéias, a controvérsia agitação, sonoridade
(...). Nasceu armado cavaleiro, de couraça e elmo, com bandeiras e montante,
jurando combater o bom combate. Toda a sua vida e uma série de guerrilhas, de
batalhas, de agonias, de sofrimentos, provocados, resistidos com altivez,
destemor e sobranceria invulgares".
José
da Penha assistiu, no dia 3 de janeiro de 1904, atos de violência praticados
por policiais na cidade de Fortaleza. Revoltado, escreveu um artigo, no outro
dia, demonstrando seu protesto. Militar, foi preso, sendo submetido ao
Conselho de Guerra. Foi absolvido. Sua esposa Altina Santos, não suportando o
sofrimento, suicidou-se com o revólver do marido.
José
da Penha resolveu seguir para o Rio Grande do Norte para lutar contra a
oligarquia Maranhão, que dominava o Estado, como sintetiza Aluízio Alves:
"de Pedro Velho o governo foi para Ferreira Chaves, deste para Alberto
Maranhão, irmão de Pedro Velho, indo em seguida para o genro, Tavares de
Lyra, Antonio de Souza preparou a volta de Alberto Maranhão, que, por sua
vez, fez retornar Ferreira Chaves, sucedido, num segundo mandato, por Antonio
de Souza, todos eles, nos intervalos, guindados à representação do Congresso
Nacional, e Tavares de Lyra e Ferreira Chaves a ministérios".
Foi
para mudar essa situação que José da Penha investiu contra a liderança de
Alberto Maranhão. Procurou o apoio de um juiz de Caicó, José Augusto, que
também combatia a oligarquia Maranhão. Mas José Augusto também não era
favorável ao candidato escolhido pela oposição, argumentado a João da Penha:
"se o candidato da oposição fosse o senhor, nestas circunstâncias, eu o
apoiaria (...) O que se pretende é destrui-la para montar uma oligarquia
nacional, com o filho do presidente da República, que nem sequer conhece o
Rio Grande do Norte".
Estava
certo o Dr. José Augusto. José da Penha, na realidade, combateu o que poderia
ser uma imposição de uma oligarquia Ferreira Chaves, contra uma imposição do
próprio José da Penha. E o que é pior, ele pretendia impor uma pessoa
totalmente estranha ao Rio Grande do Norte, o tenente Leônidas Hermes da
Fonseca, que, por sinal, apresentava apenas uma qualidade: era filho do
presidente da República... O capitão José da Penha teria, sem dúvida, muito
mais chance de vitória caso ele próprio fosse o candidato. Mas é possível que
o seu pensamento fosse realmente o de derrotar a oligarquia Maranhão: "O
meu coração tem a dureza daquelas pedras. E com este rochedo de carne, hei de
esmagar a oligarquia dominante".
José
da Penha promovia, assim, a primeira campanha popular da história do Rio
Grande do Norte. Sendo também o primeiro a falar diretamente com o povo.
Fazendo uma campanha popular, conclamando a população para derrubar uma
oligarquia que possuía figuras ilustres, de grande valor, como Alberto
Maranhão.
Aluízio
relata: "a campanha incendiou os ânimos de todo o Estado. não foi um
movimento restrito à capital, sempre mais sensível a rebeliões populares.
Não. As cidades do interior recebiam José da Penha e seus caravaneiros com o
povo nas ruas - homens, mulheres, crianças -,aclamando-os, cantando o hino da
campanha, desfraldando bandeiras".
A
campanha se desenrolar num clima tenso, propício para que se cometesse
violência. Com ameaça de proibição de comícios da oposição.
José
da Penha empolgava com sua oratória que, na opinião de Câmara Cascudo,
"era calorosa e acre, irritada, vergostante, panfletária, satírica:.
No
dia 20 de julho de 1913, ocorreu um tiroteio que durou quarenta minutos. A
casa em que José da Penha estava hospedado foi cercada pelo Batalhão de
Segurança, desde a véspera. No tiroteio, D. Leontina, companheira de José da
Penha, foi ferida. Os seus adeptos foram presos e logo depois soltos.
A
primeira campanha popular terminaria de maneira melancólica. José da Penha
foi abandonado pelo seu próprio candidato que, na realidade, jamais assumiu a
candidatura... Falando sobre o assunto, Aluízio Alves considera que "a
repercussão na imprensa do Rio, as versões espalhadas de que partira de José da
Penha e de seus amigos, o tiroteio, o incitamento à greve, dias antes, a
fábrica de tecidos, fundada por Juvino Barreto, na Ribeira, foram os últimos
atos necessários para desvendar o mistério: a primeira campanha popular do
Rio Grande do Norte não tinha candidato".
Joaquim
Ferreira Chaves partiu, então, sozinho para a eleição, que se realizou no dia
14 de setembro de 1913.
E,
em 27 de setembro de 1913, José da Penha inicia a sua viagem de volta para o
Ceará, via Recife. No Ceará, ele havia sido eleito deputado estadual.
Pouco
depois, Franco Rabelo convocou José da Penha para combater os adeptos do
padre Cícero. No dia 2 de fevereiro de 1914, partiu com duzentos homens para
combater mais de mil guerreiros. Armados e treinados pelo governo federal. Ao
se despedir do povo de Fortaleza, vaticinou: "Vou porque não posso
faltar. É só voltarei vitorioso ou morto".
E
foi o que aconteceu. Morreu combatendo. Suas tropas, contudo, venceram os
jagunços, na batalha de Miguel Calmon, no dia 22 de fevereiro de 1914.
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Epitacio Fontes <epitacio@brisanet.com.br>
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Pau dos Ferros, RN Brasil
- 30-Novembro-2004 / 20:14:02
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FONTE – LIVRO DE VISITAS
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